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Afetividade e inteligência

A RELAÇÃO DA AFETIVIDADE COM A INTELIGÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO MENTAL DA CRIANÇA


  • A tradução do texto a seguir, realizada pela aluna Magda Medeiros Schu, é fruto de uma atividade voluntária proposta na disciplina Psicologia da Educação B e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina. Supervisão da tradução: Professor Paulo Francisco Slomp.
  • Fonte: PIAGET, Jean. The relation of affetivity to intelligence in the mental development of the child. [transl. by Pitsa Hartocollis]. In Bulletin of the Menninger clinic. - 1962, vol. 26, no 3. Three lectures presented as a series to the Menninger school of psychiatry March, 6, 13 and 22, 1961. Publicação original em língua inglesa, 1962.

    Fragmento de:

  • A RELAÇÃO DA AFETIVIDADE COM A INTELIGÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO MENTAL DA CRIANÇA

    Jean Piaget

    É incontestável que o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência. Sem afeto não haveria interesse, nem necessidade, nem motivação; e conseqüentemente, perguntas ou problemas nunca seriam colocados e não haveria inteligência. A afetividade é uma condição necessária na constituição da inteligência mas, na minha opinião, não é suficiente.

    Podemos considerar de duas maneiras diferentes as relações entre afetividade e inteligência. A verdadeira essência da inteligência é a formação progressiva das estruturas operacionais e pré-operacionais. Na relação entre inteligência e afeto, podemos postular que o afeto faz ou pode causar a formação de estruturas cognitivas. Muitos autores tem apresentado tal tese, por exemplo, Charles Odier em seu estudo das relações entre psicanálise e meus estudos em psicologia infantil. Odier sustentou que o esquema do objeto permanente - as descobertas que o bebe faz sobre a permanência do objeto quando ele desaparece do seu campo visual - é causado por sentimento, por relações objetais. Ou seja, isto é devido às relações afetivas da criança com o objeto ou pessoa envolvida. Em outras palavras, as relações afetivas da criança com o objeto-mãe, ou outras pessoas, são responsáveis pela formação da estrutura cognitiva.

    O psicólogo francês Wallon acha que a emoção é a fonte do conhecimento. Um estudioso de Wallon, Malrieux, chega até a dizer que a estimativa de distância, ou a percepção de distância, é devida ao desejo de alcançar objetos distantes, e não à própria distância dos objetos.

    Uma segunda interpretação é que o afeto explica a aceleração ou retardamento da formação das estruturas; aceleração no caso de interesse e necessidade, retardamento quando a situação afetiva é obstáculo para o desenvolvimento intelectual, como no excelente estudo de Spitz sobre hospitalismo. Nessa interpretação, a afetividade explica a aceleração ou retardamento mas não a causa da formação da estrutura. Embora uma condição necessária, a afetividade não é condição suficiente na formação da estrutura, que na cognição, é autônoma. Por exemplo, numa estrutura aritmética como 7+5=12, a compreensão da igualdade pode ser retardada por certas situações afetivas, ou pode ser acelerada onde o interesse estiver envolvido. Em ambos os casos, o sujeito acabará por aceitar que 7+5=12. Isto mostra a estrutura independente do afeto, mesmo que sua construção possa ser motivada, e por conseqüência acelerada ou retardada por sentimentos, interesse e afeto.

    O afeto pode levar a erros, e por causa de certos problemas afetivos, uma criança pode aceitar por um momento que 7+5=11, ou 13 e não 12. Mas isto não é uma estrutura equilibrada. Mesmo que o afeto leve a desvios momentâneos, fatores puramente cognitivos corrigirão eventualmente cada estrutura, independentemente do afeto.

    Das duas interpretações, eu escolho a segunda e tentarei demonstrar geneticamente que a afetividade pode levar a aceleraçãoou retardamento, mas não é a causa da formação das estruturas cognitivas. Considerando primeiroque a afetividade precede as funções das estruturas cognitivas, mostrarei que os estágios da afetividades correspondem exatamente aos estágios de desenvolvimento das estruturas; ou seja, que há correspondência e não sucessão.

    (...)


    * O texto integral da tradução encontra-se disponível somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01136 Psicologia da Educação B.


    Magda Medeiros Schu foi quem traduziu o texto acima.

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